Infusão Intratecal de Fármacos - Bomba de Morfina

Implante de Bomba de Infusão de Medicamentos Intratecais - Bomba de Morfina

Um potente tratamento para a dor crônica.

O que é infusão intratecal?

É um método de neuromodulação onde a medicação é injetada de forma contínua ou intermitente diretamente no líquido céfalo-raquidiano (líquor) ao redor da medula espinal e do encéfalo. Podem ser bombas programáveis com fluxos ajustáveis ou bombas de fluxo contínuo. Elas ficam alojadas abaixo da pele no tecido subcutâneo e um catéter a conecta ao espaço liquórico, onde a medicação é liberada.

Quando está indicado o uso de bomba de infusão intratecal?

A morfina é a medicação mais comumente utilizada para tratamento de dores crônicas e o baclofeno para espasticidade grave e crises de espasmo dolorosas. A bomba de infusão de baclofeno também pode ser utilizada para tratamento de distonias.

Pacientes com dores intratáveis, como pacientes em tratamento de câncer, pacientes com alterações degenerativas graves, podem se beneficiar de bomba de morfina, onde a dose aplicada diretamente no líquor é menor que a dose ingerida por boca, muitas vezes com muitos efeitos colaterais.

Telemetria de bomba Synchromed 2 Medtronic - bomba de baclofeno - bomba de morfina

Quais os medicamentos disponíveis?

Os principais medicamentos utilizados em Bombas de Infusão Intratecais no Brasil são a morfina e o baclofeno. 

Fora do Brasil, existem mais medicações disponíveis para aplicação intratecal, como a hidromorfona (Dilaudid) e o ziconotide (Prialt) um analgésico muito potente, derivado de um caramujo, chamado Conus magnus. Aguardamos a chegada dessas medicações para uso no Brasil.

Synchromed 2 Medtronic internal view - bomba de morfina - bomba de baclofeno - visao interna

Quais os cuidados?

As bombas exigem certos cuidados especiais. A medicação dentro de seu reservatório deve ser temporariamente reabastecida ou substituída (refil).

Como fazer o refil da bomba de morfina?

Esse procedimento de abastecimento da bomba em geral é realizado com uma punção da câmara do reservatório através da pele, sem que seja necessário qualquer anestesia. Geralmente, é menos doloroso que uma punção para coleta de sangue. O intervalo de tempo para o refil varia conforme a medicação utilizada e a taxa de infusão.

O término da medicação na bomba de infusão pode acarretar graves conseqüências como síndrome de abstinência. O refil deve ser realizado na data programada pelo médico.

Como saber se a morfina funciona para o seu caso?

Existe um teste a ser realizado para avaliar:

1) Efeito analgésico da morfina: avaliar se a medicação melhora a dor, e quanto.

2) Efeitos colaterais.

Para isso, é realizada uma punção com passagem de um catéter no espaço epidural (dentro do canal vertebral, mas fora da membrana que envolve a medula espinhal). Nesse catéter, é administrada dose de morfina por determinado período de tempo, para avaliar os efeitos da medicação. Caso a resposta seja positiva e os efeitos colaterais não forem significativos, pode-se indicar o implante da bomba de morfina.

Quais os principais efeitos colaterais?

Os principais efeitos colaterais são:

a) Obstipação - muitas vezes é necessário utilização de laxantes para o correto funcionamento intestinal

b) Prurido - a coceira pode ser intratável em pacientes utilizando altas doses de morfina.

c) Confusão - a morfina pode gerar quadro confusionais e alucinação, a depender da quantidade infundida

d) Náuseas e vômitos: é comum a morfina causar enjôo e mesmo vômitos. O efeito deve ser observado na fase de teste.

e) Depressão respiratória - em altas doses a morfina pode diminuir a taxa de respiração, levando o paciente a um risco. Por isso as bombas de demanda (bombas onde o paciente acionava manualmente um botão para a medicação ser infundida) estão contra-indicadas. As bombas eletrônicas não permitem que o paciente tenha controle sobre o aumento de dose, sendo responsabilidade de seu médico.

Quais as complicações desse procedimento?

O mais comum é a não melhora dos sintomas, por uma indicação não-usual ou não-realização de teste pré-operatório.

As complicações mais graves são infecção, que muitos cirurgiões chamam de "rejeição", quando ocorre contaminação da bomba implantada com necessidade de remoção e limpeza cirúrgica. 

A depressão respiratória já foi citada acima, além dos outros efeitos colaterais comuns.

A parada súbita de funcionamento ou mesmo o término da medicação pode levar o paciente à síndrome de abstinência, onde o paciente pode ter febre, sudorese, delírios, mal-estar, taquicardia, podendo deixar o paciente em estado grave. É muito raro um problema estrutural nas bombas utilizadas no Brasil, uma vez que as duas disponíveis são muito tradicionais e de empresas sérias.

Para mais informações, pergunte para o seu neurocirurgião funcional ou médico de dor.

Bomba de Infusão Intratecal 

Bomba Synchromed - Medtronic