Estereotaxia

A estereotaxia consiste em um procedimento de altíssima precisão baseado nas coordenadas cartesianas. Para tal procedimento ser realizado no encéfalo, é necessário a fixação óssea de um arco de estereotaxia. Existem diferentes tipos de arcos. No Brasil, o modelo mais utilizado é da marca Micromar, modelo desenvolvido com auxílio do prof. Manoel Jacobsen Teixeira. Outros modelos utilizados são ZD, Riechter-Moundinger, Leksell, Talairach entre outros.

Esse procedimento foi utilizado inicialmente para tratamento de doenças como distúrbios do movimento, para realização de procedimentos como Palidotomia (ablação de núcleo Globo Pálido Interno), Talamotomia (ablação de Núcleos talâmicos, como o núcleo ventral-intermédio - Vim) para tratamento de tremor entre outros. Inicialmente era realizado com radiografia simples de crânio, com base em atlas de estereotaxia para localização dos alvos. Podia ser realizado com pneumoencéfalo (injeção de ar no encéfalo para contrastação dos ventrículos cerebrais) ou por ventriculografia (injeção de contraste radiopaco intrarraquiano para contrastação no raio-X), técnicas que entraram em desuso após avanços tecnológicos em obtenção e fusão de imagens. 

 

Após o aprimoramento nos métodos de imagem passou a ser realizada a estereotomografia, com precisão espacial para cálculo de medidas estereotácticas. Também é possível a realização de estereoressonância magnética, porém, com maior distorção espacial em relação a tomografia computadorizada. A fusão de estereotomografia com ressonância magnética é hoje o padrão ouro para análise anatômica de alvos para estereotaxia. Outras técnicas, como microrregistro neurofisiológico de estruturas encefálicas profundas, aumentam ainda mais a precisão de alvos. 

Os procedimentos estereotácticos são utilizados atualmente para realização de lesões ablativas profundas, como Palidotomia, Talamotomia ou Campotomia de Forel, para implante de eletródios cerebrais profundos (DBS - Deep Brain Stimulation), biópsias cerebrais, drenagem de abcessos cerebrais, drenagem de cistos, implante de catéteres em ventrículos pequenos ou implante de câmaras em cistos cerebrais, localização de lesões em geral e implante de sementes radioativas em tumores cerebrais (braquiterapia cerebral).

A precisão de procedimentos sem a fixação de halo craniano é menor, ainda não sendo método substituível para procedimentos de alta precisão. A neuronavegação sem fixação (frameless) pode ser utilizada para outros tipos de cirurgia onde a precisão não é tão importante, como inserção de catéteres ventriculares (Derivação ventricular externa ou derivação ventrículo-peritoneal), biópsias de lesões grandes e com superficialidade, entre outros. 

 

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