Medula Presa

A medula presa, ou medula ancorada (do inglês Tethered Spinal Cord) é uma condição comum em pessoas que apresentam os chamados disrafismos ocultos na coluna ou em quem apresentou mielomeningocele e foi submetido a tratamento cirúrgico quando bebê.

 

A medula espinhal normal encontra-se solta dentro do canal vertebral, envolvida pelo líquido cefalorraquidiano (o liquor), movimentando-se livremente conforme a movimentação do corpo ou com o crescimento. Quando a medula apresenta uma aderência, principalmente na região lombar ou sacral, ela fica literalmente presa, suceptível a lesões por micro-impactos (já que ela não se move livremente dentro do liquor). Quando uma criança apresenta medula presa, conforme ocorre o crescimento, a medula sofre um estiramento, podendo dar os seguintes sintomas: 

 

1) Disfunção urinária (bexiga neurogênica)

2) Disfunção intestinal (intestino neurogênico)

3) Espasticidade em membros inferiores

4) Dor

5) Piora de escoliose ou outras deformidades na coluna

6) Deformidades nos pés

7) Piora na marcha ou fraqueza em membros inferiores

 

A medula presa pode ocorrer em quem não operou mielomeningocele quando bebê, quando associada aos chamados disrafismos ocultos. São eles: lipomielomeningocele, espinha bífida (diastematomielia), aderência de filum terminal, cisto dermóide medular, seio dérmico congênito, presença de dimple lombar ou sacral (como um buraquinho na região lombar ou sacral). Estigmas cutâneos podem estar presentes em disrafismos ocultos, como pequenos tufos de pelos na região lombar ou sacral, manchas na região ou rugosidades na pele. 

 

Quando a medula presa já foi identificada por exame de imagem, mas a pessoa encontra-se assintomática, não é necessário tratamento cirúrgico. Quando há sintomas progressivos, o tratamento consiste em uma microcirurgia para soltura da medula presa. A cirurgia é realizada através de microscopia com acesso geralmente a uma região com cicatriz e fibroses que podem dificultar a identificação do que é tecido neural. É recomendada a utilização de monitorização neurofisiológica intraoperatória para minimizar ou evitar danos neurais. 

 

O resultado esperado com o procedimento cirúrgico é melhora principalmente na espasticidade e na dor. Os sintomas de deformidades podem melhorar, mas não necessariamente reverter. A cirurgia funciona mais para evitar uma progressão das deformidades que para promover uma regressão das mesmas. Cirurgias ortopédicas complementares usualmente são necessárias. 

 

Ressonância Magnética mostrando uma medula presa no nível sacral (seta vermelha), em região onde há falha de fechamento da coluna vertebral (paciente com mielomeningocele). Dr Bernardo de Monaco.

Ressonância Magnética mostrando uma medula presa no nível sacral (seta vermelha), em região onde há falha de fechamento da coluna vertebral (paciente com mielomeningocele). Dr Bernardo de Monaco.

 

Para maiores informações, procure um neurocirurgião especialista.