Tratamento da Distonia

Tratamento da Distonia

O que é a distonia?

É um movimento involuntário, sustentado ou intermitente, com contrações musculares causando geralmente posturas ou movimentos anormais de forma repetitiva. É comum a contração de musculatura agonista e antagonista ao mesmo tempo.

A distonia pode ser classificada como primária (também chamada de idiopática, quando ela se desenvolve sem que tenha uma causa específica) ou secundária (quando ela se desenvolve após um evento, como falta de oxigênio no cérebro, um derrame cerebral, ou mesmo após um traumatismo de crânio. A distonia primária pode ser focal (quando restrita a um segmento) ou generalizada. O blefaroespasmo (piscamento de olhos com contração na face involuntária) e torcicolo crônico são tipos de distonia focal.

Em crianças geralmente a distonia começa em um membro, raramente se inicia na face ou no pescoço. Geralmente evolui com acometimento progressivo de mais membros, até tornar-se generalizada. Em adultos geralmente a distonia se inicia pela face ou pelo pescoço, podendo acometer músculos próximos, como um aumento da área distônica. Raramente se espalha a ponto de se tornar uma distonia generalizada.

É importante lembrar que a distonia é um sintoma e não uma doença. As doenças que cursam com distonias são complexas, pouco compreendidas e raramente curáveis. A correta classificação da distonia impacta em:

- Prognóstico

- Diagnósticos diferenciais

- Exames a serem realizados

- Tratamentos possíveis

Existe um estado agudo de grande piora nos movimentos anormais, chamado de Status Dystonicus. Trata-se de uma emergência neurológica, com crises de contrações frequentes e dolorosas, podendo levar a complicações metabólicas e respiratórias, eventualmente pode até levar o paciente a óbito. Dr. Monaco publicou com a equipe de neurocirurgia um caso de tratamento com sucesso de Status Dystonicus com infusão intratecal de morfina (leia mais). É diferente de Reação Distônica Aguda, comumente observada em pacientes que tratam Doença de Parkinson com medicações dopaminérgicas.

Quais os tratamentos para a distonia?

Não há um tratamento efetivo para a distonia, é desconhecida uma cura para tal sintoma. Existem tratamentos que podem ajudar na qualidade de vida, promovendo melhora dos movimentos involuntários e até mesmo tornando-os imperceptíveis em alguns casos.

O tratamento geralmente é realizado por médicos especializados, como neuropediatras, neurologistas com especialidade em distúrbios do movimento ou neurocirurgiões funcionais. É recomendado tratamento multidisciplinar, com psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, fisioterapia e educador físico. Ajustes no cotidiano para se conviver com uma dificuldade motora são necessários.

Clinicamente, o tratamento pode ser realizado com medicações por via oral, de forma escalonada e individualizada para cada paciente. Em alguns casos, pode-se utilizar a infusão intratecal de fármacos para tratamento (como a Bomba de Baclofeno).

Para as distonias focais, a aplicação de toxina botulínica tipo A é uma boa opção de tratamento, devendo ser realizada por profissionais com experiência, já que a musculatura pode ter resposta variável ao tratamento.

Para alguns tipos de distonias hipercinéticas (com movimentos involuntários frequentes), pode-se considerar o tratamento com estimulação cerebral profunda (leia mais), em diferentes alvos encefálicos, considerada principalmente para distonias primárias. No Brasil, o ROL da ANS prevê implante de sistemas de estimulação cerebral profunda em crianças a partir dos 8 anos de idade. Para mais informações é sugerido que procure um neurocirurgião funcional.

Quais as possíveis causas de distonias secundárias?

As causas de distonia secundária são: doenças desmielinizantes encefálicas (como esclerose múltipla); lesão encefálica por anóxia, como paralisia cerebral; encefalomielite disseminada aguda; infecções do sistema nervoso central; tumores no sistema nervoso central; lesões vasculares no sistema nervoso central; como malformações arteriovenosas, ou acidentes vasculares encefálicos; drogas ou medicamentos e traumatismo encefálico. Existem doenças heredodegenerativas do sistema nervoso que também podem cursar com distonia, como Doença de Wilson, Doença de Huntington, Doença de Parkinson, Parkinsonismo (também chamado de Parkinson-plus), atrofias do sistema nervoso, ataxia espinocerebelar tipo 3, erros inatos do metabolismo, transtornos do armazenamento lipídico (como doença de Niemann-Pick), doenças mitocondriais, acúmulo de metais no sistema nervoso entre outras ainda mais raras.

 

Para mais informações, procure seu neurocirurgião funcional.